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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Resenha - Rashõmon

No dia 23 de março de 1910 nascia O diretor de cinema da terra do olho puxado: Akira Kurosawa. Eu até peço desculpas por não ter feito um post dedicado aos 100 anos do nascimento dessa entidade, prometo faze-lo em breve. Mas para me redimir, pelo menos um pouco, vou falar do primeiro filme que assisti dele: Rashõmon.

O ano era 1950 e depois de ter feito alguns filmes, Kurosawa veio com uma idéia maluca de retratar um acontecimento de vários pontos de vista diferentes. Foram gastos aproximadamente 5 mil dólares na produção, algo pequeno até para aquela época. O segredo para economizar foi todos envolvidos no filme morarem juntos. Segundo Kurosawa, ele sentia como se estivesse dirigindo os atores o tempo todo.

Enfim, depois de um tempo o filme ficou pronto e foi lançado no cinema japonês. Os críticos viram o filme e.... acharam o filme RUIM! Diziam que o filme era muito triste, complexo e muito monótono. Sua recepção ao publico também não foi nada boa. As pessoas ficaram chocadas com varias cenas e no geral não gostaram muito.

Então porque você foi ver um filme antigo que é uma bosta? Ai que está... ele não é ruim.  A prova maior disso foi o que aconteceu quando Rashõmon chegou ao ocidente. Pela primeira vez na história um filme da terra do sol nascente fez sucesso por aqui. Saiu ganhando vários prêmios , dentre eles um leão de ouro em Veneza e um oscar honorário em 52.

Mas chega de história... vamos ao filme! Tudo se passa num local intitulado Rashõmon - As portas do Inferno. Lá tem 2 pessoas realmente indignadas falando uma para a outra que não dava para entender nada do que tinham visto e ouvido. De repente chega um andarilho e começa a perguntar o que tanto incomoda os dois... ai começa tudo. Eles começam a descrever um crime e descrever o julgamento dele, mas uma coisa é intrigante: todos os depoimentos contam histórias diferentes. Qual é a verdadeira? O que aconteceu lá?


Sinceramente eu adorei o filme! As tomadas de câmeras, os atores dando aulas de atuação e uma direção impressionante. Não vi nada de chato, monótono ou qualquer coisa que o pessoal japonês reclamou. Fiquei intrigado e até o final fiquei preso a trama. Se você gosta de cinema e histórias muito bem contadas esse é o filme certo.

Dou 10 calcinhas pervertidas!

 Fiquem ai com o trailer dessa obra de arte:

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Resenha - 20th Century Boys


Hoje vou falar aqui de umas das melhores histórias que já vi as mentes nipônicas criarem. Estou falando de 20th Century Boys!

Um mangá criado em 2001 e foi lançado até 2006 contando com 22 volumes. Também foi criada em 2007 uma sequência com o nome de 21st Century Boys e não foi muito longe tendo só 2 volumes. O sucesso dessa história ainda é refletida nos dias atuais, quando as vendas de seus mangás ainda ficam entre o top 10 de mangás mais vendidos no Japão (nona colocação no mês passado).

Esse filme é o inicio de uma trilogia que já foi toda lançada na terra do sol nascente. Mas vamos lá, qual é a história disso aí?

Primeiro vou esclarecer uma coisa. É dificil falar desse filme se fazer spoiler. E como ele é todo baseado no mistério do que está realmente acontecendo, um spoiler iria acabar com a graça do filme. Logo o que vou falar agora vai ter bem poucos detalhes sobre a trama.

A história se passa no ano de 1997 e conta a vida de Kenji, uma pessoa comum que trabalha em uma loja de conveniências. Ele acaba sabendo da morte de um amigo seu e começa a relembrar de um clube que ele e outras crianças pertenciam. Mas o fato dele lembrar disso faz com que desconfie que a morte de seu amigo não foi algo acidental e ele inicia uma investigação para descobrir o que houve.

Ufa... acho que não falei nada comprometedor. Mas pera lá, olhando essa história você deve ter achado a premissa do filme bem chata. Confesso que ao iniciar fiquei bem perdido e chateado por ser algo tão bobo. Mas depois de uns 20 minutos já estava empolgado pacas com a trama. Ele começa a falar de uma conspiração que envolve a personagem principal de uma forma impressionante.

A trama foi me impressionando a cada cena mostrada. Isso até a parte final. Acho que perdi toda a minha empolgação inical quando toda a conspiração é revelada. Acho que o final é muito feito para poder ter uma continuação e as personagens perdem um pouco da sua personalidade. Não vi o segundo filme ainda, para dizer se esse final realmente criou uma sequencia boa. Mas vendo apenas o primeiro é realmente frustrante saber como ele acaba.

Mesmo tendo um término ruim, acho que vale muito apena você se aventurar e entrar nesse mundo criado pelos garotos do século 20.

Dou 7,5 calcinhas pervertidas!



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Resenha - OnneChanbara


Eu adoro filmes de zumbis! Não tinha como começar esse post de outra forma. Zumbis são personagens que me deixam muito animado para ver um filme. Gosto deles nos dois estilos: o que anda lentamente e mesmo assim chega nos humanos; e o que corre loucamente atrás de miolos. Curiosamente em minhas pesquisas acabei me deparando com esse filme ai : OnneChanBara.

Para explicar o por quê dessa samurai cowgirl semi-nua a gente tem que ir à origem disso tudo: o jogo de video-game. Os japinhas pensaram da seguinte forma: "Vamos criar mais uma história com zumbis! Todo mundo gosta de zumbis. E para matar eles vamos colocar uma mulher! Semi-nua , para atrair mais os jogadores japas! Certo... mas ela vai dar tiro? Não , coloca duas katanas nas mãos dela e tá tudo resolvido! Mais alguma coisa? Coloca um chapéu nela... daqueles de cowgirl, fica sexy! Beleza , temos o nosso jogo!"

Sério, não tem como a criação desse jogo ter sido algo diferente disso. Depois de ter procurado um pouco sobre o game, percebi que os personagens são muito bem caracterizados. Essa cowgirl é igualzinha a do jogo, compare ai :

Mas vamos ao filme: A história é simples, um cientista maluco (poderia ser alguém mais?) inventou um jeito de fazer mortos voltarem à vida (por que eles sempre querem isso?). O cara conseguiu e no final das contas os mortos-vivos começaram a atacar os humanos e se espalharam pelo mundo todo. Esse cara se envolveu com a nossa samurai ai e agora ela quer vingança!

Vamos ao que interessa: os zumbis funcionam? Mais ou menos. Esses zumbis são meio indefinidos. Tem momentos em que eles andam bem lentamente e outro que correm loucamente. Mas eles em momentos algum te dão medo ou agonia. Para a história geral eles funcionam e sua carga dramática funciona muito bem, mas pára por ai também.


Mas o filme em si é ruim. Talvez por eu não ter jogado o game tive essa impressão. A história é fraca , sem nenhuma novidade e nada empolgante. É legal ver as lutas, mas só a primeira vez, depois fica tudo a mesma coisa e exagerado demais. Na primeira luta me senti jogando o game e dando o especial no final. Mas acredito que a forma em que eles colocaram os efeitos especiais para encaixar a historia do jogo no filme, ficou forçada demais.

Dou 3 calcinhas pervertidas!




sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Resenha - Adrenaline Drive


Você gosta daqueles filmes de sessão da tarde ? Aqueles dos anos 80 que eram toscos e te faziam dar muitas risadas? Então adrenaline drive é um filme que você deve assistir!

Ele é uma comédia, mas diferente daquelas coisas que estamos acostumados a ver hoje em dia, as suas piadas são mais sutis. Bem diferente daqueles pastelões americanos essa é uma comédia que me fez rir muito.

Vamos a história:
- Um japinha acaba sofrendo um pequeno acidente de trânsito, mas para o seu azar ele acabou de bater no carro de um cara da Yakusa. Por um motivo aleatorio o japinha é levado para uma das sedes do grupo para dar explicações, possivelmente ser humilhado e ter sua vida ameaçada. No meio da humilhação um acidente acontece e tudo explode. Ele sobrevive e acaba fugindo com o dinheiro da máfia junto com uma enfermeira(?) que estava ali socorrendo ele.
 
Eu perdi a conta de quantas vezes pensei assim: "Que aleatorio isso que tá acontecendo agora!". Talvez por não entender do cinema deles, não tenha previsto nenhuma piada ou rumo que a história ia tomar. Sinceramente achei surpreendente várias coisas que aconteceram e provei que esses seres nipônicos realmente têm criatividade até para o cinema!


Esse momento tá todo mundo com cara de bunda!


Mesmo não sendo uma comédia romântica, temos no filme um casalzinho que eventualmente se envolve e deixa a história mais legalzinha. Os dois são bem caricatos de pessoas bem "losers". Um japinha com um emprego de merda e uma enfermeira que é zuada pelas suas colegas. Casal perfeito para todas as coisas que acontecem durante a trama. Isso eu acho que ficou muito legal na história.  

Resumindo : o filme não é nada demais. Não vai mudar a sua vida , nem vai te fazer pensar nela. Mas tenho certeza que boas risadas podem ser dadas e você vai se divertir muito.

Dou 6 calcinhas pervertidas!




sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A partida (Departures/Okuribito)


Como disse na apresentação do blog, o que normalmente leva as pessoas a assistirem filmes não-americanos é o Oscar. Quando é indicado para o Oscar você já começa a olhar diferente. Sinceramente, hoje o tio Oscar se perdeu completamente e está um bom velho gagá, mas ainda chama a atenção. O filme que vou falar hoje ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro desse ano. Mas esse não foi o principal motivo que me levou a assisti-lo. Vi por indicação de Karina Almeida quando postei sobre cinema japonês no divaaagando. E se vocês forem aos comentários, ela disse que era uma história bonita, triste e engraçada ao mesmo tempo. Não entendi muito bem, mas depois de ver o trailer logo pensei: "Legal, comédia romântica japonesa!”. Isso foi o meu erro, ignorar a palavra "triste" que ela disse. Falhei no meu julgamento, mas acabei não perdendo o meu tempo!

O filme não é uma comédia romântica japonesa. É um drama musical japonês. Mas vá com calma, quando eu falei musical, não espere gente cantando, dançando e pulando. O musical ai, é porque o personagem principal toca violoncelo e suas musicas acabam entrando como pano de fundo na história.

Enfim, vamos à história do filme:
- Um japinha que participa da orquestra de Tókio recebe a noticia que ela acabou. Meio sem rumo ele decide voltar para o interior e tocar a sua vida lá em sua cidade natal, junto com sua esposa. Chegando lá acaba sendo chamado para trabalhar numa funerária.


Parte do ritual fúnebre


Para entender o filme é preciso se ter um conceito bem definido: culturalmente por lá tocar em mortos é algo desonroso. Acredito que no passado esse serviço era entregue para pessoas(ou famílias) que fossem camponeses e tivessem alguma coisa errada em sua história. E até os dias de hoje, principalmente no interior do Japão, essa tarefa é ainda muito mal vista. Acho isso um pouco hipócrita, pois eles discriminam, mas quando precisam vão lá e chamam esse pessoal.

Uma coisa que tenho que destacar, é da atuação dos japinhas no filme. Ali estão as melhores atuações que eu já vi no cinema japonês. Tá certo que vi poucos filmes, mas foi nesse que eu realmente vi bons atores. E isso me impressionou, pois por padrão vejo esses seres pervertidos com pouca expressão e muito semelhantes entre si. Vê-los atuando bem e vendo cada personagem se destacar muito bem na trama, me fez ter vontade de ver mais coisas de lá (E também fundar o blog).


Uma bela trilha sonora.

A história te cativa, os personagens são bem construídos, o ritual de passagem é muito bonito, a musica e os momentos de silencio são muito bem distribuídos e os cenários são simples e belos. Apesar de ser um drama, gênero que particularmente não sou muito fã, gostei muito do filme.

Dou 9 calcinhas pervertidas!



Depois do break, confira um comentário sobre uma cena bizarra do filme. Fiz isso separado para quem não gosta de spoiler ficar livre deles aqui.